Home Data de criação : 08/10/24 Última atualização : 09/11/17 21:36 / 65 Artigos publicados
 

Sombra  (Psicologia X Arte) escrito em terça 17 novembro 2009 21:36

inconsciente, psicologia, escuro, jung, sombra

 

Ao ver de noite muda, acompanhar-me,

a minha sombra, que se encolhe e cresce,

mais do que a minha própria me parece

a de álguem que me segue p'ra espiar-me.


Se paro, a conversar com um amigo,

ela pára também, fica a espreitar,

grudada ao muro, como a procurar

saber o que é que penso mas não digo.


Vocês dirão: “Mas isso é medo puro!

Até da própria sombra desconfia...”

Que chegasse a tal ponto eu não diria,

mas, acho sempre bom pensar no escuro.

 

Trisulla

 

ENCONTRO COM A PRÓPRIA SOMBRA

 Jung

O homem que olha no espelho das águas vê realmente seu próprio rosto, antes de tudo. Quem se dirige a si mesmo arrisca-se a uma confrontação consigo próprio. O espelho não lisonjeia, reflete fielmente o que está diante dele, isto é, o rosto, que nunca mostramos para o mundo porque o cobrimos com a “persona’, a máscara do ator. Mas o espelho permanece atrás da máscara e apresenta o rosto verdadeiro.

            Este confronto é o primeiro teste de coragem em nosso íntimo, um teste suficiente para atemorizar muitas pessoas, pois o encontro de nós próprios pertence às coisas mais desagradáveis, que podem ser evitadas, desde que possuamos símbolos vivos traçados, nos quais tudo o que é íntimo e desconhecido é projetado.

            O encontro consigo mesmo é o encontro com a própria sombra. Para usar uma metáfora, a sombra é um passado impenetrável, uma porta estreita, cujo doloroso aperto não é poupado a ninguém que desce à profunda nascente. Mas, deve-se estudar a fim de conhecer-se, para se saber quem é. Pois o que vem depois da porta é bastante surpreendente, uma expansão ilimitada cheia de dúvidas sem precedentes, aparentemente com nenhum interior e exterior, com nenhum acima e abaixo, aqui e acolá, meu e teu, nem bom nem mau. É o mundo das águas, onde tudo que vive flutua em suspensão, onde começa o reino do sistema simpático, da alma de tudo que vive, onde eu sou inseparavelmente isto e aquilo, e aquilo isto são eu; onde eu experimento a outra pessoa em mim, e a outra, como eu mesmo, experimenta a mim.

            Não, o inconsciente não é um sistema pessoal encapsulado, é o mundo largo, e, objetivamente, tão aberto quanto o mundo. Eu sou o objeto, mesmo o sujeito do objeto, numa completa reversão da minha consciência ordinária, onde sou sempre um sujeito que possui um objeto. Ali me encontro no emanranhado mais cerrado com o mundo, de tal modo uma parte deste, que esqueço com facilidade quem realmente sou: “perdido em si”, é uma boa frase para descrever o estado. Mas este ego é o mundo, se somente uma consciência o pudesse ver. É por isso que devemos saber quem somos.

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Todos os comentários desse artigo:
Sombra

  • blogdosblogs Sex 15 Jan 2010 17:58
    Caro amigo estou passando hoje para dizer um alo ,e para dizer que estou esperando os novos e fantascicos posts de seu blog.

    Grande Abraço

    Fabricio

  • blogdosblogs Ter 01 Dez 2009 14:04
    Caro amigo muito obrigado pelas dicas excelentes e comentários sempre muito bons,O filme a que se refere deve ser muito bom,mas tem um que poderia ser também tema de meu poema apesar de não ter pensado nele especificamente quando o fiz,foi apenas mais um de meus flashs o livro que também se tornou filme é O Estranho Caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, no Brasil, O Médico e o Monstro, Não eu acho que não vi o filme que você me indicou ,ou talvez tenha visto alguma parte alguma vez mas não me vem a memória agora ,mas esse outro também é muito bom confira.Ah fui até o blog que me indicou ,e respondi em forma de poema a questão proposta. Grato mais uma vez.Até mais.

    Fabricio Couto Martins

  • blogdosblogs Sex 27 Nov 2009 18:46
    Adorei amigo ,o poema inicial é otimo.